quarta-feira, 30 de setembro de 2015

A volta ao trabalho





Fiquei cuidando do Vladimir em casa até ele fazer 7 meses até que chegou uma hora que não era mais viável financeiramente e nem socialmente ficar por conta do Vladimir.  Quando não tinha filhos criticava as mães que terceirizavam seus filhos e achava que ficaria por conta do meu filho até os dois anos.  Mas como ser mãe é cuspir pra cima,  paguei língua!  E confesso sem nenhum peso na consciência que me senti muito bem a primeira vez que fui ao trabalho e deixei ele com minha sogra.  Sei que muitos vão pensar que sou menas porque não chorei e meu leite não ficou vazando.  Mas antes de julgarem,  eu trabalho só 3 vezes na semana e poucas horas da manhã.  Então ainda tinha o resto do dia para ficar com meu filho.

Foi libertador!  Eu era  a Meiriele novamente.  É muito importante ser você mesma.  E nos últimos seis meses eu não era. Não somos.  No instante em que o bebê nasce tudo se transforma e nos fundimos ao bebê.  E isso é extremamente necessário. Questão de sobrevivência.  Mas chegou uma hora que eu só lia, escrevia, falava e pensava em peito, fraldas e afins. Não tinha convivência social com não mães.  Ninguém aguentava mais conversar comigo.  E pior eu carregava muito culpa porque tinha que ser uma mãe excelente,  dar conta de tudo sem depender de ninguém.  E até consegui por 6 meses não depender de muita ajuda externa.  Mas o Vladimir ficou de tal forma fundido a mim que eu só conseguia comer, ir ao banheiro e tudo mais com ele no colo. Não podia respirar.  Eu me senti sufocada pela maternidade.  Por isso,  ir trabalhar foi libertador! Percebi que precisava de uma rede de apoio. O filho não era só meu, tinha pai, avós e tios que o amam tanto quanto eu.  Ao me libertar, libertei o Vladimir.  Desde os 7 meses ele fica com o pai ou as avós sem precisar mamar, nem mamadeira, e fica muito bem sem mim. Sim, eles ficam bem. Temos que confiar na capacidade de adaptação dos bebês também.

Com isso também não quero dizer que as mães que param de trabalhar para cuidar exclusivamente dos filhos estejam erradas. Embora, veja com frequência as mães reclamando da solidão, da sobrecarga de trabalho, falta de ajuda dentre outras coisas quando ficam somente por conta do bebê. A gente se fecha para o mundo, para de escutar as outras pessoas. Nos sentimos sozinhas e incompreendidas. Quando temos a liberdade de sair. Respirar um pouquinho. Voltamos para a casa renovadas e com muito mais ânimo para cuidar dos nossos filhos. Acho importante ter um tempo só para si mesma. Se sentir útil fazendo outras coisas. 

Os filhos não são nossos,  são do mundo!  Acho que a maternidade não deve ser cheia de sacrifícios e privações. Temos uma vida para além da maternidade e não precisamos abandoná- la para viver somente em função dos filhos.  Há que se buscar um equilíbrio!