terça-feira, 28 de outubro de 2014

A espera acabou... Nascimento do Vladimir



Queria ter feito meu relato de parto no dia seguinte após o parto. Mas o tempo foi passando e eu só adiando... E lá se foram quatro meses...
Engravidei em outubro. Foi planejado, mas não imaginamos que ia acontecer tão rápido. Decidimos ter o bebê e... pimba! Duas semanas depois o teste de farmácia comprovou a gravidez!

Assim que tive a confirmação comecei a pesquisar tudo o que podia sobre gravidez. Tudo que eu descobria ia contando para meu marido. Apesar de não ter ler sobre o assunto ele prestava atenção em tudo que eu falava e foi em todas as reuniões comigo. Hoje ele é mais ativista que eu. Fala de parto natural para toda grávida que ele vê! Kkkk

Eu já acompanhava um blog no yahoo (mãe de salto alto) e tinha lido um post sobre parto humanizado. Eu tinha certeza que queria um parto normal, pois minha mãe tinha tido seis partos normais. Morria de medo da cesárea. Mas até então, parto humanizado para mim era ter o bebê na água. Sabe de nada, inocente! Nas minhas pesquisas encontrei o blog do Ishtar. Já me identifiquei só de ver o nome, pois gosto de mitologia e já tinha lido sobre essa deusa. Comecei a acompanhar o grupo no yahoo e depois no facebook.

 Mas só pude ir à primeira reunião em janeiro. Engraçado que tinha procurado sobre doulas e, coincidentemente, vi o perfil da Helena em um dos blogs.Quando fui a primeira reunião, lá estava ela coordenando e o tema era justamente acompanhantes para o parto. Naquele dia decidi que ela seria minha doula!

Antes de conhecer o Ishtar quase caí na lábia dos cesaristas do Santa Fé naquele famoso curso de gestantes. Ainda bem que escapei!!! Como todo mundo, comecei a fazer o pré-natal particular. Mas depois fui para o SUS. Eu queria o sis para fazer o pré-natal no Sofia, mas como as coisas em Ribeirão das Neves são lentas tive que esperar para conseguir o número e acabei fazendo quase todo pré-natal no posto mesmo. Minha gravidez foi bem tranquila. Participei de várias reuniões e chás de bênçãos, estudei muito sobre parto e curti bastante a gravidez.

Lá pelo meio da gestação começou a brotar a vontade de um parto domiciliar. Eram tantas histórias lindas de parto domiciliar... Eu acho que não me sentiria confortável no hospital. Eu ODEIO médico. Sério! Nunca dei certo com nenhum.  Já consultei com uns 8 ginecologistas e só dei certo com uma, mas infelizmente ela se aposentou. L  Mas até irmos visitar o Sofia o PD era uma possibilidade distante. Meu marido achava que nunca poderíamos ter um parto em casa, pois nossa casa é muita pequena e não tínhamos dinheiro para pagar uma equipe. Foi na visita ao Sofia que conhecemos a equipe e a vontade cresceu. Até meu marido se empolgou com a ideia! Mas a casa era um empecilho. Foram cinco semanas conflitantes para mim. Meu marido queria que o PD fosse na casa da minha mãe, minha mãe e meus irmãos estavam morrendo de medo que alguma coisa acontecesse comigo no parto domiciliar e aí foi aquele mal estar. Conversei com a Kalu, com a Helena pedindo opinião até resolver que eu teria o PD na minha casa mesmo e pronto. Meu marido vendo que eu estava decidida, apoiou. Nossas famílias estavam com medo, mas não falaram mais no assunto. Tenho certeza que minha mãe orou o tempo todo por mim! Voltei no Sofia para conversar com a equipe. No dia não havia nenhuma das enfermeiras lá, mas me passaram o telefone da Sintia. Liguei e conversamos. Ela me disse que talvez não fosse possível porque na minha dpp parte da equipe estaria de férias. Ela ficou de conversar com a coordenadora da equipe para ver se poderia me encaixar. Nesse dia quase desisti do PD achando que não ia conseguir. Alguns dias depois, a Sintia me ligou dizendo que elas iriam me acompanhar. Depois disso ainda teve a saga do estreptococos. Eu não descansei enquanto o resultado não saiu. Fiquei tão feliz quando deu negativo!!!!

Comecei a fazer o pré-natal com a equipe de PD com 35 semanas. Que diferença! As meninas são ótimas, eu me senti muito à vontade com elas! Fazer pré-natal com enfermeiras é muito melhor do que com médico!!!Fiz os preparativos finais para o parto a partir das 37 semanas. Passei a fazer as terapias integrativas do Hospital Sofia Feldman que acabaram com as minhas dores e reduziu muito minha ansiedade.  Terminei meu plano de parto. Fui fazendo a playlist do parto e comprando as coisas que faltavam. Com 38 semanas comecei a sentir as primeiras contrações, ainda indolores e irregulares. No dia 13 de junho cheguei a sentir contrações com cólicas de 10 em 10 minutos, mas elas duraram apenas 1 hora.  Eu sabia que o bebê não iria se antecipar. Minha intuição dizia que ele nasceria no dia 29 de junho... Com 38 semanas uma amiga se ofereceu para tirar as fotos. Foi um presente inesperado que me deixou muito feliz!Com 39 semanas tive o chá de bênçãos. Foi um chá bem intimista, apenas a doula, meu marido, eu e mais um casal. Mesmo com tão poucas pessoas, foi um chá muito especial e eu me sentia muito feliz. Tinha escrito no blog uma carta para meu bebê e escrito no meu diário pessoal todos os medos que eu tinha. Fiz isso para exorcizar todos os medos e limpar a minha mente. Queria entrar em TP livre, leve e solta...

No dia 26 de junho fui à faculdade tirar as fotos para o convite de formatura. Durante o trajeto para a faculdade percebi que as contrações estavam ritmadas, de 10 em 10 minutos. Fiquei feliz, sabia que estava próximo. Revi minhas amigas. Todo mundo perguntando para quando era o bebê. E eu respondendo: em teoria hoje. De acordo com a DUM, ele deveria nascer naquele dia. Contei para meu marido e ficamos a postos. Estávamos bem tranquilos. Fui dormir sentindo as contrações e às 2h da madrugada, acordei sentindo cólicas. Levantei fui fazer um lanche e mexer um pouco no facebook. Fiquei conversando com um amigo até às 4h da manhã. Sentia cólica semelhante a da menstruação que duravam uns 40 segundos e vinham de 20 em 20 minutos. Assim que as dores acabaram, voltei a dormir. Ainda não era o TP. No dia seguinte, meu marido me perguntou como estava. Eu não estava sentindo nada, mas sabia que tudo começaria em poucas horas. Queria que ele ficasse comigo, mas também não podia impedi-lo de ir trabalhar. Disse que estava tudo bem e ele foi para o serviço. Eu fui à padaria, tomei café e arrumei a casa sentindo as contrações levinhas e irregulares. Mas quando foi mais ou menos 9h30 da manhã senti uma contração bem forte que me fez ficar de quatro no chão. Liguei para o marido chorando, pedindo para ele vir logo. Mandei mensagem para a Helena, e para a Síntia, a EO  que ia me acompanhar no parto. Na minha cabeça eu entraria em trabalho de parto quando o tampão saísse. Eu já estava sentindo contrações que pareciam de TP e nada do tampão. Mandei mensagem para Helena e a Sintia falando que estava sentindo contrações regulares, mas o tampão ainda não tinha saído. A Helena respondeu dizendo que não era para eu me prender ao tampão e sugeriu que eu tomasse um banho para relaxar . Então esqueci do tampão e  fui para o chuveiro para diminuir a dor e fiquei um pouco na bola de pilates. Durante o banho vieram quatro contrações. No entanto, após o banho, as contrações foram embora e eu comecei a achar que estava exagerando e que talvez fosse alarme falso. A Helena me ligou e eu estava até sem graça, pois parecia que o TP tinha parado. Logo depois a Sintia ligou e eu disse que ia esperar até a hora do almoço para ver o que ia acontecer. Fiquei deitada na cama esperando e as contrações não vinham. Meu marido chegou e eu estava ainda sem saber o que fazer. As cólicas vinham muito espaçadas. Ele fez o almoço, mas eu não consegui comer direito. A Síntia me ligou e eu ainda estava na mesma. Falei que ia esperar mais um pouco. Deitei no sofá e tirei um cochilo.

Quando foi por volta das 14h as contrações voltaram e com muita força. Não era uma simples colicazinha. Era um dor forte no pé da barriga. Começava super forte e depois ia diminuindo. Contorci-me no chão de dor, começando a chorar. Agora a porra tinha ficado séria! Márcio, meu marido, me abraçava, meio sem saber o que fazer. Resovli ir para o quarto ficar um pouco na bola de pilates. O Márcio me segurando, me ajudando a lembrar da respiração. Ele sugeriu começar a contar as contrações. Acho que estava mais ou menos de 15 em 15 minutos. Nesse momento eu vomitei. Não adiantou nada ter comido kkkk Depois disso senti que era a hora de ligar para a equipe, era o TP começando. Pedi para o Márcio ligar para a Helena, a Síntia e para a fotógrafa. Tinha colocado os telefones na porta da geladeira para facilitar. O tempo que se seguiu até a chegada da Sintia pareceu uma eternidade; Helena chegou logo depois. Quando ela chegou eu estava no meio de uma contração, senti um alívio tão grande quando eu a vi!!!  Me passou uma tranquilidade enorme.

A Sintia calculou o tempo das contrações, estavam de 10 em 10 minutos. Ouviu os batimentos fetais e a pressão, estava tudo ok. O jeito era esperar. Helena e o Márcio estavam comigo no quarto, enquanto a Sintia estava na sala. Após um tempinho pedi para medir a dilatação. Durante toda a gravidez eu não tinha feito toque. A Sintia foi muito delicada, me pediu licença e tudo, mas definitivamente toque é horrível!!! Quando a enfermeira disse que eu estava com três para quatro centímetros de dilatação e o colo estava fino, senti uma ponta de desanimo. Ainda ia ficar muitas horas em TP. Mas decidi não pensar mais na dilatação e não fazer mais nenhum toque. Eu ainda não estava em TP ativo, tudo poderia acontecer. A Sintia me aconselhou a tomar um chá. Tomei um chá de erva doce, mas vomitei logo depois. Mais ou menos nessa hora a fotografa chegou. Naquela hora eu não queria foto de jeito nenhum e mandei a fotografa ir embora. Mas ela ficou. Como eu vi que ela não foi embora, ignorei. Ela já estava lá mesmo. Resolvi não pensar em mais nada. Tudo o que eu queria era que meu TP engrenasse.  

Como eu ainda não estava em TP ativo, a enfermeira resolveu ir embora e voltar depois quando eu estivesse na fase ativa. Fiquei algum tempo na cama deitada. Dormia nos intervalos das contrações. O Márcio e a Helena ficaram ao meu lado o tempo inteiro, me abraçando, fazendo massagens e aguentando meus gritos. O mantra do meu TP foi: “Tá doendo”! Sempre que vinha a contração eu dizia isso e dizia no ritmo das contrações, no início alto e depois diminuindo. Realmente as contrações são como uma onda. Começam bem fortes e vão diminuindo aos poucos até acabar. Acho que pior que sentir a dor era saber que ela ia voltar a qualquer momento. Dava um misto de desespero, angústia e ansiedade. Nos intervalos eu estava tão cansada que entrava num estado de semiconsciência, meio acordada, meio dormindo. Nesse momento as contrações pareciam estar espaçadas, mas como não tinha ninguém contado, não dava para saber de quanto tempo eram os intervalos. Ficamos assim até a Helena sugerir que eu fosse para debaixo do chuveiro.

Fiquei um bom tempo debaixo do chuveiro. A sensação da água caindo no pé da barriga dava um alivio, parecia que as contrações diminuíam. Eu não queria sair de lá nunca mais, rsrsrs. Às vezes eu me lembrava da respiração, mas na maioria das vezes em que viam as contrações eu só gritava. Enquanto o Márcio e a Helena faziam massagem e tentavam me confortar. Até que uma hora eu pensei: “Tenho que parar de gritar. Vou relaxar e controlar a respiração para o TP engrenar.” Fiquei calada, de olhos fechados. A contração vinha e eu respirava fundo, tentando não pensar na dor. Nos intervalos eu conversava com o Vladimir. Não lembro o que eu disse. Mas tentava imaginar que eu já estava com a dilatação completa, que eu estava pronta e que ele podia vim. Falava do que eu sentia por ele, do que eu fiz durante a gestação esperando a chegada dele e falei dos planos futuros. Foi um desabafo. Consegui fazer isso durante umas cinco contrações.  Eu escutava a Helena e o Márcio conversando. Eles estavam preocupados com o meu silêncio. Eles tentaram conversar comigo, perguntaram se estava tudo bem e eu só assenti com a cabeça. Então comecei a pensar que aquilo não estava dando certo. Eu estava cansada, não queria mais sentir dor. Abri os olhos e comecei a falar que queria ir para o hospital tomar anestesia. A Helena e o Márcio riram e argumentaram falando que ia dar muito trabalho, que não era isso que eu queria, e que eu estava em casa, era só ficar tranquila que estava tudo indo bem e não sei mais o quê. Eu falava que não estava aguentando mais sentir dor, se eu tomasse anestesia eu ia poder descansar e depois eu voltava pro TP com mais força! Ficava falando com uma vozinha mansa, manhosa. Era tudo papo furado! Eles viram que eu não estava falando sério! Na minha cabeça se eu fosse para o hospital, enquanto estava no carro o TP ia parar, eu ia poder descansar e depois eu voltava a me concentrar no parto. Kkkkkk Nada a ver. Mas à medida que eles foram falando vi que se eu fosse ter anestesia, ia ir para o hospital sentindo dor e o TP duraria mais tempo ainda. Então resolvi deixar pra lá. Eu não queria anestesia mesmo. Nessas horas a gente fala tanta coisa!

As contrações voltaram e eu não consegui mais controlar a respiração. Ficava só gritando. Até que a chave do chuveiro caiu e a água ficou fria. O Márcio foi ligar a chave de volta e aí eu comecei a pensar que já estava há muito tempo debaixo da água. Quantos litros de água já deviam ter ido embora? Quanto nós íamos pagar de conta de água e luz? Kkkkkk Eu não podia ficar a vida inteira debaixo do chuveiro. Aquilo não era parto ativo coisa nenhuma, eu tinha que ficar em pé! Mas cadê a força pra levantar? Precisei de mais umas duas contrações pra criar coragem. Quando levantei também, foi de uma vez. Falei que queria ir pro quarto e saí andando. A Helena atrás com a toalha para me secar. Foi nesse momento que o TP engrenou de verdade.

Fui para o quarto e cravei as mãos na grade do berço. Fiquei em pé. A cada contração eu segurava mais forte na grade. Minhas mãos ficaram dormentes, mas eu não conseguia soltá-las. Nessa hora a Helena fazia uma massagem de apertar os ossos do quadril que eram uma benção. Quase cortavam as contrações. Depois ela revezou com o Márcio nas massagens. O Márcio não fazia igual. Eu pedia para ele colocar mais força nas mãos. Tadinho! Ele cansou rapidinho e logo pediu para trocar com a Helena. Durante todo o tempo que fiquei no quarto a Helena e o Márcio me deram água. Eu não tinha vontade de comer nada. O que me deu forças foi aquela vitaminas de caixinha da Itambé. Tomei o litro todo!!

Quando fui para o quarto a Helena perguntou se eu queria ouvir alguma música. Eu já tinha feito a playlist do parto. Repassei as músicas mentalmente na cabeça e respondi: “Nenhuma”. Kkkk. Tinha colocado tanta coisa no meu plano de parto. Queria incenso, música tal em momento tal e na hora não quis nada. Só depois que vi, pelas fotos, que a Helena tinha acendido um incenso.
Senti frio e me cobriram com o roupão.As contrações foram ficando mais intensas. E eu me rendi. Fazia o que meu corpo pedia. Fiz cocô. Nessa hora não tinha vergonha de nada. O lado animalesco submerge! Eu pensei em tantas coisas. Mergulhei dentro de mim mesma! Quando não aguentei mais ficar em pé, fiquei de cócoras. Sempre segurando na grade do berço. As dores foram aumentando e o mantra mudou dessa vez era: “Vai passar”, sugestão da Helena que tentava me tranquilizar com essas palavras. E ajudou mesmo! Até que me cansei e deitei. Aí as contrações começaram a vir uma atrás da outra sem intervalo. Fiquei desesperada vendo que não estava passando. Foi quando senti alguma coisa descendo pelas minhas pernas e falei: “Tá saindo alguma coisa de dentro da minha vagina.” Kkkkk Era o tampão. Eu já tinha até me esquecido dele. O Márcio limpou com o papel higiênico e me mostrou, dizendo: “Você não queria ver o tampão, olha ele aqui.” E eu respondi; “Já vi um monte na internet”. Até a Helena riu. Mas é que não estava dando conta nem de olhar para o lado!
Como o tampão tinha saído a Helena nos lembrou de ligar para a Sintia. Acho que ela tinha ligado algumas vezes, mas foi só nessa hora que tivemos certeza que eu estava na fase ativa. Ela chegou rápido e fez os procedimentos de costume: medir pressão e ouvir coração.

Depois que o tampão saiu as contrações voltaram a ficar espaçadas e eu sentia uma vontade enooorme de fazer força. Sentia ele se mexendo dentro de mim e fazendo pressão para baixo. Eu já não gritava, urrava!!! Eu sabia que não podia fazer força, mas não conseguia parar. Foi aí que me lembrei da banheira. Pedi para encher a banheira e todo mundo entrou em desespero. Corre pra lá, corre pra cá. A ideia era ligar a mangueira no chuveiro. Mas a mangueira era muito grande e água estava chegando fria na banheira. O jeito era esquentar a panela no fogão. Mas todas as minhas panelas eram pequenas. Iam ficar a vida inteira enchendo a banheira. O Márcio correu na casa da mãe dele para pedir um caldeirão.

Eu fiquei sozinha com a Helena no quarto. Foi a hora que eu achei que não ia mais conseguir. Nessa angústia, abracei a Helena procurando acolhimento. De leoa, virei menina. Nunca vou me esquecer daquele abraço e do olhar de carinho da Helena. É nessas horas que entendemos a importância de uma doula nos acompanhando. Helena foi como uma mãe para mim.

Então as contrações deram um intervalo longo e eu pude pensar com calma. Pela correria eu vi que não ia dar tempo de encher a banheira. Pedi pra largar a banheira para lá e voltei para o chuveiro.
Sentei na banqueta de parto. Eu já estava cansada, as contrações vinham com força! Esperei o Márcio chegar. Ele chegou afobado. O  Chamei para o banheiro expliquei que não queria mais a banheira, mas que estava nervosa. Ele me acalmou e me lembrou da minha visualização de parto. Aí eu consegui relaxar. A Helena sugeriu que eu colocasse a mão para sentir a cabecinha. Coloquei, a vagina estava inchada, mas não consegui sentir a cabeça dele.  Poucos minutos depois veio uma contração e eu senti a cabeça dele descendo. Junto veio um ploc, era a bolsa que tinha estourado. Na hora eu nem percebi que era a bolsa, achei que era só o movimento da cabeça dele pressionando. Quando eu disse: “A cabeça dele tá aqui.” Acho que ninguém acreditou.  Eu tinha acabado de falar que não tinha sentido a cabeça! Nessa hora eu senti o círculo de fogo. E falei: “Nossa o círculo de fogo, é do jeito que falaram mesmo.” Aí todo mundo acreditou. Todo mundo ficou a postos esperando! O Márcio olhou e viu a cabecinha saindo. A Helena perguntou se eu queria ver. Disse que não, apesar de ter dito no plano de parto que queria ver. Mas eu estava tranquila. Não precisava ver, sabia que ele estava vindo. Relaxei. Veio outra contração e senti a cabeça dele saindo direitinho.  O Márcio estava segurando a cabecinha e viu que ele o cordão estava enrolado no pescoço. Eram duas circulares.  Ele ficou um pouco apreensivo. A enfermeira desenrolou o cordão. Logo depois veio outra contração e ele saiu inteiro nas mãos da Sintia e do Márcio que estava ajudando a segurar e veio direto para os meus braços. Foi inacreditável, inexplicável: ele estava ali, nos meus braços!

 Na hora eu pensei que ia rir ou chorar, mas tudo o que eu consegui foi olhar para o Vladimir sem acreditar. Eu estava em choque. Foi tudo tão rápido! E ele era tão lindo. Durante a gestação não tinha feito nenhuma expectativa de como ele seria fisicamente. E quando o vi, o achei a coisa mais linda do mundo! Ele quase não tinha vérnix. Achei o Vladimir tão limpinho, tão durinho, meu príncipe!  A enfermeira olhou a hora: 00:28. Na minha cabeça já deviam ser umas 4h da manhã. Surpreendi-me com o horário.Tinha perdido a noção do tempo quando estava na partolândia. O Vladimir não chorou.  A Sintia massageou as costinhas dele e ele começou a respirar aos pouquinhos. A cor roxa foi saindo, dando lugar ao rosado. Seu apgar foi 9/10.  

Fomos para o quarto.Fiquei com ele no colo, o admirando, conversando com ele até o cordão parar de pulsar. Achei bem chato esperar a placenta sair.  Continuar com as contrações me incomodou muito. Tentamos a amamentação, ele chegou a pegar o seio, mas não mamou. Ele só foi mamar mesmo ás 16h da tarde, desde então não largou mais, rsrsrs. Quando o cordão parou de pulsar o Márcio cortou o cordão e pedi que aplicassem a ocitocina, esperamos uns minutos para fazer efeito e a Sintia foi puxando a placenta devagar. Foi um alívio quando saiu. Guardamos a placenta no freezer e vamos plantá-la junto com um pé de abacate assim que possível. Depois o Vladimir ficou com o pai. Tive laceração e foi preciso fazer a sutura, mas não sei quantos pontos foram. Tomei um banho com a ajuda da Helena e da Sintia e jantei.Minha pressão estava muito baixa. Estava fraca. Comer me ajudou a recuperar as forças. O Vladimir foi avaliado, ele nasceu com 3,345 kg e 49 cm. Todas só foram embora depois de ver que tudo estava bem com a gente. As três foram ótimas!

Nessa noite não consegui dormi direito, pois não conseguia desgrudar os olhos do meu anjinho. Fiquei um tempão pensando no que eu tinha acabado de viver. Quanta emoção. Que momento intenso! Me senti tão mulher, tão forte! Feliz!!! Parir é algo sem explicações! Ter tido um parto sem intervenções na minha casa foi um sonho! Só de pensar que se fosse no hospital meu marido não estaria comigo, eu não ficaria tão à vontade... Sem dúvida, ter o bebê em casa é mais tranquilo e confortável. Não trocaria meu lar por um hospital, por melhor que seja. Não tem comparação! 

Gostaria de agradecer ao Ishtar-BH pelas informações e apoio, a Eliana Cunha pela inspiração; a Letícia Dawahri por ter me ajudado a dizer não ao meu sabotador;  a Helena, minha doula amada,  pelo apoio incondicional; a Sintia pela excelente assistência e a todas meninas da equipe de PD do Sofia Feldman; a Angelita Alves pelas fotos lindas e pelo carinho; e, principalmente, ao meu maridoulo que gestou e pariu junto comigo nosso bebê. Obrigada Deus por te me concedido essa graça!










































domingo, 22 de junho de 2014

Para Vladimir

"Quando  perdemos a capacidade de nos indignarmos ante atrocidades sofridas
por outros, perdemos também o direito de nos considerarmos
seres humanos civilizados." W.H.


 



Querido Vladimir.

 Nas minhas leituras da adolescência aprendi a admirar os militantes que lutaram contra a ditadura militar, entre eles, o jornalista, Wladimir Herzog, que virou símbolo de resistência  à ditadura. Ele foi morto por um ideal! Ele lutou até a morte pelo que  acreditava! E é por isso que eu escolhi esse nome para você. Não espero que você seja o mais inteligente da turma, um grande esportista, um grande artista ou um grande empresário. Sei também que você não será perfeito, talvez seja birrento e desbocado. Também não quero que você realize os sonhos que eu não pude realizar. Sei que você não será meu para sempre. Recebi a missão de te receber em meu útero e te educar para a vida, não para mim! A única coisa que eu espero é que você lute pelo que acredita sempre e que nunca, nunca deixe de ficar indignado com as injustiças do mundo!!!
E saiba que pode contar comigo sempre. Me esforçarei todos os dias para ser uma boa mãe para você. Não esqueça nunca que eu te amo! 

De sua mãe que te espera ansiosamente! <3
 

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Últimas notícias do Vladimir

Olá, pessoas!

Na última postagem falei de mim, agora vou falar do Vladimir.
Graças a Deus ele está ótimo, crescendo lindamente dentro do casulo dele.
Na 35ª semana de gestação eu fiz o último ultrassom. É a última vez que eu o vi pela "tela" e em breve
o verei ao vivo e a cores! #expectativa

Como sempre, ele estava chupando dedo. Coisa que ele faz a maior parte do tempo! Puxou a família do pai! rsrsrsrs Durante a ultrassom ele mexeu bastante, então deu para associar os movimentos dele com a imagem e saber direitinho onde está cada parte do corpo dele. Eu, mãe de primeira viagem, ainda ficava na
dúvida se era o pé, o joelho, ou o cotovelo que estava mexendo!kkkkkk
O bom é que ele já está cefálico há tempos. Uma preocupação a menos para o parto. Se ele estivesse sentado, o parto normal seria mais complicado.
Ele estava com tamanho e peso bons na ultra. Pesando 2.600 e medindo 45cm. Acho que a essa altura ele deve estar maior, né. Minha barriga chegou a 36,5 cm de altura uterina. Agora está com 35,5 cm. A diminuição da barriga significa que ele "encaixou", por isso minha barriga está mais baixa. Claro que o tamanho da barriga e o tamanho do bebê não tem relação nenhuma. Uma mulher com a barriga pequena pode ter um bebê grande sem problemas. Isso depende mais do biotipo da mulher. O engraçado é que agora que a barriga abaixou e deu uma arredondada, as pessoas perguntam se estou esperando menina.
Alguns perguntam se não são gêmeos, rsrsrs. Mas a barriga muda de forma mesmo, é normal. Por isso não
dá para ficar generalizando.
Como eu sempre comento: ele mexe muuuuuito. E eu acho isso ótimo porque significa que ele está se desenvolvendo bem. Ele reconhece a voz do pai e faz o samba do crioulo doido aqui dentro quando o pai conversa com ele. Meu marido, lógico, fica babando, né! A corujice rola solta por aqui. Outro coisa que eu sei que o Vladimir já acostumou é com cachorro. Também pudera! Eu tenho uma cachorrinha e na casa da minha mãe tem mais três. Latido de cachorro pra ele é música! kkkkkk
Eu sempre falo que ele mexe muito, mas ninguém nunca viu, né. Para matar a curiosidade, fiz um videozinho de um minuto com ele se mexendo. Ele é um pouco tímido na frente das câmeras! rsrsrs Toda vez que eu vou filmar ele para de mexer! Mas acho que consegui uns trechinhos bons para mostrar pra vocês.
Isso é tudo!Bjos!
 


sábado, 14 de junho de 2014

O último trimestre da gestação

Olá, pessoas!

E os 9 meses estão na reta final! Já estou de 38 semanas e a expectativa da chegada do Vladimir só aumenta! Nem parece que se passaram 9 meses! Foi muito rápido! Esse último trimestre não foi fácil. Vou contar resumidamente como foi.

Até  abril eu estava super bem. Fiz o book de grávida. Quem quiser conferir é
só acessar o blog: http://www.angelitaalves.com.br/2014/05/marcos-meiriele-vladimir.html. Minhas fotos estão lá. As fotos foram tiradas no Parque Municipal Américo René Gianetti em Belo Horizonte. A fotógrafa foi excelente! Uma pessoa muito legal e super talentosa!
Adorei as fotos e recomendo o trabalho dela para quem é de Belo Horizonte e região.

No início de maio foi o chá de bebê, que eu já contei. Aí a coisa começou a ficar feia. Achei que não ia dar conta. Ainda tinha aula na faculdade, trabalhos e provas para fazer. O bendito fim de semestre! E a barriga enoorme já estava ficando muito pesada. Estava andando feito uma pata choca. E a cada passo uma dor! Sentia muita dor na bacia, no cóccix, na sínfise púbica.E dor no osso é insuportável. Parece que não vai passar nunca! E dá-lhe compressa de água quente e exercícios de yoga para diminuir a dor. Mas mesmo com as dores não consegui diminuir o ritmo totalmente. Comprei as últimas coisas que faltavam para a chegada do bebê. Marido e eu montamos os móveis. Dei aquela faxina na casa. Terminei todos os trabalhos da faculdade. E ainda dei conta de sair para passear algumas vezes.

Para dormir é difícil, mas ainda sim consigo dormir bem. Se eu deito do lado esquerdo, passa um tempo minha perna dói. Aí viro para o lado direito, passa um tempo a perna direita também dói. Dizem que essa dor é por causa do nervo ciático que é comprimido pelo peso do útero. Fico a noite toda revezando entre um lado e outro. E sem contar os sonhos malucos!

Uma coisa muito triste aconteceu. Eu estava me sentindo linda, maravilhosa até que... as temidas estrias apareceram. Buáaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa! Eu já tinha muita estria nas coxas e no bumbum desde os meus 9 anos (Tive que fazer tratamento com dermatologista, mas não adiantou muito) . Assim que soube da gravidez comecei a usar aqueles óleos próprios para evitar estrias, mas não adiantou. Minha pele realmente não tem elasticidade! Primeiro nas coxas. Até aí tudo bem, eu já tinha um monte mesmo! Mas quando eu vi que surgiram estrias na barriga também, ao redor do umbigo,aí sim, fiquei mega chateada. Mesmo fazendo tratamento eu sei que as estrias não somem totalmente. Vou sentir falta da minha barriga lisinha de antes. Adeus biquíni, agora só maiô. Nada de blusinha mostrando a barriga ou saia curta. Sou uma velha de 23 anos! Buáaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!

Esse mês eu já comecei com o pé direito. Tudo organizado. Só aguardando a chegada do Vladimir. Feliz e tranquila na minha casa. E para acabar com as dores comecei a fazer as terapias integrativas do Hospital Sofia Feldman (não me canso de falar bem desse lugar!). Não fui antes porque o ideal é ir com mais de 35 semanas. Eu só fui mesmo com 37 semanas. Fiz escalda-pés, auriculoterapia, mochaterapia e ventosaterapia. Tudo de graça! E as minhas dores sumiram! Estou me sentindo como se ainda tivesse no segundo trimestre: com a barriga enorme, mas super disposta! As terapias fizeram milagres! Recomendo!

E agora começou a copa, anteontem foi dia dos namorados e ontem sexta-feira 13 e de lua-cheia! O marido fez uma linda surpresa para mim no dia 13. Não comemoramos o dia dos namorados. Falta de grana, copa, preguiça... não estava muito animada não. Quando o marido chegou em casa eu estava sentindo as contrações de treinamento ( toda contente!) e arrumando a casa. Ele disse que tinha uma surpresa para mim, mas que eu tinha que esperar até as 18h. Faltava uns 40 minutos. Então fui lavar o banheiro! Eis que as 18h em ponto a campainha toca, o marido vai atender e volta com um buquê enorme! Confesso que eu não acreditei. Há 7 anos eu esperava ganhar um buquê de presente no dia dos namorados. No nosso primeiro dia dos namorados tivemos uma bela briga porque eu estava esperando ganhar um buquê e não ganhei nada! O marido não é chegado a datas comemorativas e é
um pouco desajeitado com essas coisas românticas. Mas dessa vez ele me surpreendeu mesmo! Sabe quando você desiste? Pois é eu tinha desistido! Acho que ele percebeu que eu não estava mais com expectativas e resolveu ser romântico.  Resolvi deixar registrado esse dia porque, para mim, o início do relato de parto começa nesse dia, sexta-feira 13 de lua cheia, primeiras contrações e primeiro buquê. Uma data super especial!

Para finalizar, última foto da barriga (com estria e tudo)!

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Gravidez: lado A x Lado B

Olá, pessoas!



Lado A x Lado B



Hoje vou contar um pouquinho das coisas que eu gostei e das coisas que eu não gostei nessa gravidez.
Vamos começar do inverso: primeiro vou falar o lado B, isto é, o lado ruim e depois vou falar do lado A, o bom.
  • Os tão famosos sintomas da gravidez: enjoo, dor de cabeça, azia, dor nas costas, falta de ar, peso na bexiga e dor na sínfise púbica.
  • Inconstância emocional. Ora você está super alegre e de repente, caí numa enorme depressão. As mudanças hormonais deixam a gente com o sentimento a flor da pele. As oscilações de humor são constantes e tudo afeta a gente bem mais do que antes. Sem contar a ansiedade. Agora, na reta final, estou bem assim: ansiosa, nervosa, mal humorada, chorona. Nem eu estou me aguentando!
  • Se sentir sozinha. Não estou falando de não ter companhia, mas sim de se sentir incompreendida. As pessoas não entendem minha opção pelo parto natural. Algumas riem, debocham, umas me chamam de louca e outras acham que estou seguindo modinha. E ficar explicando minhas decisões, mostrando as evidências do parto natural, etc. tem me desgastado muito!
  • Ser "patrimônio público". Esse definitivamente é o pior de todos! Estou me sentido uma peça em exposição. Todo mundo acha que pode me abraçar, passar a mão na minha barriga, me fazer um monte de perguntas e me dar um monte de conselhos. E não estou falando de amigos e familiares, estou falando de ilustres desconhecidos! Ontem mesmo no supermercado uma senhora me abraçou e disse:" tá quase chegando, né? Que maravilha!" Fiquei em estado de choque! Não tinha a mínima ideia de quem era a mulher e ela já foi logo me abraçando! E essa não é a primeira vez! É só sair na rua que aparece uma doida com a mesma atitude! Sem contar os olhares. Tem tanta grávida na rua, mas parece que eu sou a única porque ficam me olhando o tempo todo. As pessoas me olham e depois começam a falar de gravidez com quem tá do lado! E as perguntas! Não posso ficar mais de 1 minuto parada no mesmo lugar que já começam a fazer as incansáveis perguntas: já sabe o sexo? é menino, né? tá de quantas meses? vai ganhar quando? como vai ser o nome? é o nome do pai? engordou só a barriga, né? que barrigão, vai ser um meninão! e blá, blá, blá. Confesso que estou esgotada! Perdi até o animo de sair na rua!

Agora, deixando o baixo-astral de lado, vamos falar das coisas boas:

  • No meu caso, ter engordado mais de 10 kilos foi óoootimo! Estou me sentindo muito bonita grávida. Estou achando até meu cabelo e minha pele mais bonitos! Sem contar que eu amo ficar olhando para o meu barrigão, rsrsrs! Nesse sentido, engravidar fez muito bem para a minha autoestima!
  • Receber elogios e ser paparicada. Confesso que ainda acho estranho a preocupação das pessoas comigo e a atenção redobrada. Mas não vou negar que é muito bom ser mimada: ter pessoas te ajudando a carregar sacolas pesadas, ter carona, ter prioridade nas filas,etc. E que mulher não gosta de elogios? O maridão todo dia fala que eu estou linda, vários pessoas também já falaram. Fico toda inflada, é claro, né. Isso é um fato inédito na minha vida! kkkkkk
  • Sentir o Vladimir mexendo. Nunca imaginei o quão bom é sentir esse brotinho crescendo dentro da gente. Cada chutinho,remexida, soluço... cada movimento dele é uma sensação mágica. É sobrenatural sentir uma vida dentro da gente. E a sensação de nunca estar sozinha! Dá vontade de sentir isso para sempre! É de longe a coisa mais maravilinda da gravidez. Tenho certeza que quando ele sair, vou sentir falta!
  • Estreitar os laços com a minha mãe. Agora que também sou mãe (ou quase), passei a compreender bem mais as escolhas da minha  mãe em relação a minha criação e de meus irmãos. Agora entendo as preocupações e exigências exageradas dela. Engravidar fez com que a gente se aproximasse mais e só tenho a agradecer ao meu filho por esse "milagre"!
  • Descobrir a mim mesmo. Engravidar me levou a grandes descobertas. Descobertas, essas, que mudaram minha forma de ver o mundo e de agir sobre ele. Muitas coisas foram se encaixando e passando a fazer sentindo na minha cabeça durante a gravidez. Me sinto muito mais forte e melhor comigo mesma! Outra coisa da qual serei eternamente grata ao Vlad!
Isso é tudo pessoal! ;)

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Em qual maternidade eu vou parir?

Olá, pessoas!

Assim que fiquei grávida, alguns familiares e amigos me incentivaram a fazer um plano de saúde para ganhar meu bebê em hospital particular. O plano que eu tenho é muito simples e não cobria partos. Então, fui à pesquisa, atrás de planos particulares. Pesquisei o plano de saúde da UNIMED e  plano de parto do Hospital Santa Fá e Maternidade Otaviano Neves.  Parir por esses hospitais não saia por menos de 3 mil reais. Apesar do valor não ser acessível para mim, estava disposta a pagar, pois parir no SUS parecia arriscado demais. Que engano! Aprofundando minhas pesquisas, vi que os hospitais particulares só atendiam as emergências se você pagasse os extras que o plano de parto não cobria. A quantidade de reclamações era imensa no Reclame aqui.
Aí, depois comecei a pesquisar sobre parto humanizado e vi que não havia essa possibilidade em hospitais particulares. Mesmo que eu pagasse pelo parto normal, no fim acabaria desembolsando o dinheiro da cesárea e aí se meu filho ou eu tivesse alguma complicação!
Fui pesquisar os hospitais do SUS. Pela região onde moro só tinha duas opções: Risoleta Neves e Sofia Feldman. Já tinha ouvido falar muita coisa ruim e muita coisa boa sobre os hospitais. Até que pesquisando sobre o Sofia Feldman, achei na internet um relato de parto lindo que tinha acontecido lá. Não tinha mais dúvidas! Era lá que eu ia parir! Depois, as informações que obtive só fizeram aumentar minhas boas impressões. 

Visitei o hospital Sofia Feldman no feriado de Páscoa. Sim, vocês podem visitar a maternidade, conhecer todas as instalações e tirar suas dúvidas sobre o local. Mas é bom ir em dias úteis que é quando tem as doulas voluntárias para te acompanhar. Me apaixonei pelo lugar! Os quartos tem nome de mulheres importantes e a maioria é equipado com banheira, chuveiro, bola de pilates e banqueta de parto. E se você quiser um parto natural, tem a casa de parto David Capistrano Filho. É excelente! E pelo que sei, o hospital Risoleta Neves também possui quartos com banheira, chuveiro, bola de pilates e banqueta de parto. E ambos hospitais contam com doulas voluntárias para auxiliarem as mulheres no trabalho de parto. Você pode não acreditar, mas ter o seu bebê pelo SUS é melhor que pelo hospital particular. Os hospitais públicos são obrigados a cumprir a taxa de no máximo 20% de cesáreas por hospital e procuram respeitar todas as recomendações da Organização Mundial de Saúde para um parto respeitoso. Os hospitais particulares não são obrigados a prestar contas do seu serviço e como tudo que é particular, o lucro é mais importante. Sem contar, que o Sofia Feldman possui a maior uti neonatal do país. Seu bebê com certeza estará em boas mãos!

Uma pesquisa feita em 2012 mostra as taxas de cesáreas dos hospitais de BH. Retirei a imagem do blog Dádádá http://vilamamifera.com/dadada/.
As colunas laranjadas representam os hospitais particulares e as colunas de azul representam os públicos.
O Sofia apresenta 25% e o Risoleta 22,4%  de cesáreas, bem mais próximos da recomendação da OMS que os hospitais particulares!





















E quem quiser saber mais sobre o hospital Sofia Feldman é só assistir o vídeo abaixo:



Você encontra outras informações no site:http://www.sofiafeldman.org.br/2011/09/01/sofia-e-a-maternidade-que-mais-assiste-parto-em-minas/
Se você é de BH, vale a pena fazer uma visitinha ao hospital.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Algumas reflexões sobre a perda do protagonismo feminino

Olá, pessoas!

Nos últimos meses andei pesquisando muito sobre parto e li alguns livros que falam sobre o poder que a mulher tinha nas sociedades antigas e como ela perdeu esse poder ao longo da história. Cada vez que eu penso nisso, fico super revoltada! Há tempos queria ter escrito sobre isso, mas estava evitando, pois sabia que era uma assunto complexo e que exigiria muito de mim. Hoje, finalmente, resolvi escrever algumas conclusões as quais cheguei. Sei que posso estar errada e muita gente não vai concordar comigo, mas é o que penso no momento.

Refletindo um pouco sobre nossa história. Sobre o patriarcado e sobre o feminismo, percebemos o quão inconveniente é para uma mulher hoje em dia ter filhos.
A fisiologia feminina permite a ela dar a luz e, como consequência, seu emocional, instintivamente, é moldado para esse evento. Os ciclos femininos (menstruação, período fértil, gravidez, parto) é o que torna a mulher diferente do homem. Para que os homens pudessem mandar, criou-se a ideia de que a mulher era inferior por viver presa aos seus ciclos. A menstruação é vista como algo sujo, que deve ser escondido. Mulher nenhuma gosta de menstruar e praticamente nenhuma sabe lidar com esse momento. Todos temem a terrível TPM. Depois vem a virgindade. De acordo com o patriarcado, a mulher tinha que se manter virgem e ser fiel  para garantir que os filhos gerados fossem realmente do marido. A grávida era isolada do convívio, o parto realizado as escuras... A igreja católica foi a principal propagadora do patriarcado. A virgem Maria que concebeu sem pecado. Ela não podia ter tido relações sexuais com um homem de carne e osso para que fosse assegurado que o filho em seu ventre fosse realmente de Deus. Balela! A trindade (o pai, o filho e o espírito santo) não tem sua principal figura: a mãe.  E inúmeros outros exemplos...

Para as feministas terem direitos iguais aos dos homens, poderem trabalhar e ter liberdade sobre o próprio corpo não é conveniente ter filhos. A criança te impede de trabalhar e você deixa de ter controle sobre seu corpo. É o que torna óbvia as diferenças entre homens e mulheres! Por isso, vemos as feministas lutando em favor do aborto, mas não vemos elas lutando pelo direito de mulheres serem protagonistas do seu parto.

Até o século XIX as mulheres pariam em casa na companhia de outras mulheres, as parteiras. O parto não era visto como doença, mas como um evento fisiológico.Com a chegada dos médicos, em sua maioria homens que não entendem nada dos ciclos femininos, muita coisa mudou: a gravidez e o parto passaram a ser vistos como doença e a mulher como paciente. Sei que muitos vão dizer que muitas mulheres e bebês morriam antigamente por complicações na gravidez e parto. No entanto, hoje em dia, com acompanhamento médico tão rígido, as mulheres e os bebês continuam morrendo. Vemos com frequência casos assim nos jornais e todos conhecem pelo menos um caso de alguma vizinha ou parente em que a mulher ou o bebê morreram. As intervenções médicas somente mudaram a causa das mortes.

Antigamente a mulher escolhia em qual posição parir, preferencialmente na vertical pois contavam com a força da gravidade. Hoje em dia é obrigada a parir deitada, com os órgãos comprimidos, menor circulação sanguínea, bacia estreitada e sem conseguir fazer força. Mas a mulher estando deitada é mais fácil e para  o médico ver o que está acontecendo e assim poder intervir!
Eu poderia citar mais um monte de exemplos, mas vou ficar só nesse, pois é o mais básico de todos. Só por esse exemplo é possível perceber o quanto a mulher não tem voz nenhuma ao parir!
Engravidar e parir  hoje em dia, é uma luta imensa. É lutar contra um sistema patriarcal que ao invés de ter sido derrubado pelo feminismo, infelizmente, ganhou mais forças!

As mulheres que querem parir naturalmente hoje em dia, lutam contra um gama imensa de crenças, mitos infundados e propagados a torto e a direito por qualquer um. Gravidez não é um assunto que circula em qualquer mesa de buteco ou é tratado em qualquer novela. Pelo menos não da maneira correta. E quando tentamos falar com as pessoas a respeito disso, são poucas as que querem ouvir.
 É um caminho solitário!

Eu acredito que parte fundamental  da igualdade de direitos é reconhecer as diferenças entre homens e mulheres e valorizá-las enquanto tal. Tentar igualar homem e mulher só gera mais preconceito! A mulher tem que conquistar seus direitos na sociedade, sem se privar de sua essência feminina. Por isso, defendo o parto humanizado. O parto que eu defendo é o parto em que a mulher é protagonista e tem seus direitos respeitados.

Chá de bebê do Vladimir

Olá, pessoas!


Saudades! Tem muito tempo que eu não escrevo... Mas é que tenho dado prioridade a outras coisas...

Vamos as novidades. No dia primeiro de maio foi o primeiro chá de bebê do Vladimir. Digo primeiro porque ainda farei outro.Organizei, junto com uma amiga, um piquenique para comemorar a chegada do Vlad com algumas amigas da faculdade. Vou formar esse semestre e fazia tempos que não me encontrava com as amigas. Então juntei o útil ao agradável: elas puderam ver a barriga  e me encontrarem antes das aulas acabarem. Com essa coisa de copa, o mês de maio é o último mês letivo do semestre. E na correria do final de semestre não dá para fazer nada além de estudar, né. Em suma, era minha última chance de reencontrá-las antes do bebê nascer. E foi MARAVILHOSO!
O melhor chá de bebê que Vladimir e eu poderíamos ter! SENSACIONAL!
Só tenho a agradecer o carinho de todas elas. Foi um momento muito especial!

Segue algumas fotos para vocês curtirem!


 Todas colocaram balões debaixo da roupa para simular uma barriga de grávida. Adivinhem em qual dessas está o Vladimir? kkkkk
                            Euzinha abrindo os presentes!


                                Os comes e bebes!


As amigas todas reunidas com a lembrancinha que dei a elas. Fiz uma fraldinha de crochê e um cartãozinho com a frase de Vladimir Nabokov: "Uma boa gargalhada é o melhor pesticida que existe!"


O outro chá de bebê que eu havia falado, na verdade pode ser chamado de Chá de bem-nascido porque só vou fazer quando o Vladimir nascer.
Antigamente não existia chá de bebê com a mulher ainda grávida. Não fazia sentido comemorar a chegada de um bebê sem ele ter chegado, hehehehe. E também não tinha como saber o sexo, então era preciso esperar o nascimento para dar os presentes.
Várias pessoas já disseram que vão me visitar depois que ele nascer. E, particularmente,  não quero ficar recebendo um  monte de visitas no puerpério.  É uma fase delicada e não terei  paciência para fazer sala para as visitas. Então, achei melhor reservar uma única data para que todos possam conhecer o Vladimir. Assim que ele nascer, programarei uma data para o chá e chamarei todos. E também a ideia de pedir um presente específico para cada pessoa me incomoda demais. Como o enxoval já está completo, as pessoas não terão obrigação de dar presentes. O chá vai ser mesmo para apresentá-lo as pessoas. Bem mais conveniente!

Isso é tudo, pessoal!

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Preferêncial?!



 Olá, pessoas!

Hoje vou falar de um assunto bem complicado: caixas/assentos/vagas preferenciais para idosos, deficientes e gestantes. Vou contar um pouco as experiências que tenho vivido.
A grávida só tem direito ao assento preferencial no ônibus e lugar nas filas a partir do 5º mês de gestação. Acredito que é porque a partir desse mês que a barriga aparece e a grávida não pode ficar muito tempo em pé ou sofrer impactos na barriga. 
Quando eu estava no quinto mês não estava fazendo muita questão dessa preferência. Se tivesse lugar no ônibus atrás eu rodava roleta e pegava fila normalmente. 

A primeira situação complicada foi um dia em que peguei o ônibus lotado, fiquei em pé lá na frente. Estava cheio de jovens sentados nos bancos preferenciais. O cobrador acho que não percebeu que eu estava grávida. Eu também não quis dar alarde. Fiquei em pé em frente a dois rapazes. Um ficava me olhando toda hora, acho que ele estava esperando eu pedir o lugar. O outro estava dormindo. Quando ele acordou, perguntou se eu estava grávida. Respondi afirmativamente e ele se desculpo, mas já era tarde demais, tínhamos chegado na estação.
Outras duas vezes, voltando da faculdade, aconteceram fatos semelhantes. Eu entrei no ônibus e os lugares preferenciais estavam ocupados. As pessoas ficavam olhando para mim e se entreolhando, tipo: quem vai ceder o lugar?  Em um dos casos o pai retirou o filho pequeno do banco e pôs no colo para que eu sentasse, no outro um rapaz voltando do trabalho cedeu o lugar. Enquanto isso, rapazinhos e moças continuaram mexendo no celular sem dar muita importância.

Um outro caso. Eu estava no Suplementar, tinha rodado a roleta e estava no banco preferencial de trás. A cobradora simplesmente se dirige a mim me pedindo para eu dar lugar para a grávida sentar. Eu respondi: "Só que eu também tô grávida". E a mulher sentada do meu lado teve que ceder o lugar.
Ela não viu que eu estava grávida e por eu ser mais nova já foi direto em mim. Não que a cobradora estivesse errada, mas foi uma situação meio tensa.

Outro dia na fila da lotérica, a idosa simplesmente passou na minha frente. A neta dela ainda tentou consertar dizendo: "Vó, essa moça tava na sua frente. " A senhora simplesmente disse: "Ela não tá na fila." A mulher nem olhou para mim ou perguntou qualquer coisa. Eu fiquei lá, atrás dela, fingindo que nada tinha acontecido.

Mas tem também situações positivas: eu ia me levantar para passar o cartão antes de descer. O ônibus ainda estava em movimento. Um senhor impediu que eu me levantasse. Fez eu esperar o ônibus parar para eu levantar. Ele estava com medo que eu caísse. Foi uma atitude de preocupação que poucos demonstram hoje em dia.
Há também as situações tragicómicas. O dia que eu peguei o ônibus e  os assentos estavam ocupados por 6 velhinhos e uma grávida, além de um cego e mais dois velhinhos em pé e atrás o ônibus estava cheio. E num outro dia que o cobrador do Suplementar teve que arrumar lugar para duas grávidas, um idoso e quatro mulheres com crianças de colo.

O caso é que não existe lugar suficiente no ônibus para todos os idosos, grávidas e deficientes. É fato que, às vezes, uma pessoa que chega cansada do trabalho esteja mais necessitada de sentar do que uma gestante voltando do pré-natal ou um idoso voltando da hidroginástica. Mas mesmo assim, as pessoas não deveriam olhar para a gente com aquele olhar: "Por que saiu de casa?" Eu me sinto como se estivesse incomodando as pessoas, fosse um estorvo! E não! É um direito que eu tenho! E esse direito não é à toa, não é por acaso.  Eu preciso continuar indo à faculdade. Eu sei que pegar ônibus às 22h30 é um sacrifício.Só que eu também não posso ir em pé correndo risco de cair ou ter minha barriga pressionada toda vez que  alguém passar do meu lado. Por isso, tenho o direito de ir sentada!

O problema é complexo. Não tem ônibus suficiente para atender a população. E tem mais idosos e grávidas  pegando ônibus que as poucas cadeiras sugerem. Dentre outros muitos fatores. Mas as pessoas tem que colaborar também. Não é para encarar o lugar preferencial como um incomodo e sim como uma necessidade! Simples assim!

E vocês? O que acham?