sexta-feira, 4 de abril de 2014

Preferêncial?!



 Olá, pessoas!

Hoje vou falar de um assunto bem complicado: caixas/assentos/vagas preferenciais para idosos, deficientes e gestantes. Vou contar um pouco as experiências que tenho vivido.
A grávida só tem direito ao assento preferencial no ônibus e lugar nas filas a partir do 5º mês de gestação. Acredito que é porque a partir desse mês que a barriga aparece e a grávida não pode ficar muito tempo em pé ou sofrer impactos na barriga. 
Quando eu estava no quinto mês não estava fazendo muita questão dessa preferência. Se tivesse lugar no ônibus atrás eu rodava roleta e pegava fila normalmente. 

A primeira situação complicada foi um dia em que peguei o ônibus lotado, fiquei em pé lá na frente. Estava cheio de jovens sentados nos bancos preferenciais. O cobrador acho que não percebeu que eu estava grávida. Eu também não quis dar alarde. Fiquei em pé em frente a dois rapazes. Um ficava me olhando toda hora, acho que ele estava esperando eu pedir o lugar. O outro estava dormindo. Quando ele acordou, perguntou se eu estava grávida. Respondi afirmativamente e ele se desculpo, mas já era tarde demais, tínhamos chegado na estação.
Outras duas vezes, voltando da faculdade, aconteceram fatos semelhantes. Eu entrei no ônibus e os lugares preferenciais estavam ocupados. As pessoas ficavam olhando para mim e se entreolhando, tipo: quem vai ceder o lugar?  Em um dos casos o pai retirou o filho pequeno do banco e pôs no colo para que eu sentasse, no outro um rapaz voltando do trabalho cedeu o lugar. Enquanto isso, rapazinhos e moças continuaram mexendo no celular sem dar muita importância.

Um outro caso. Eu estava no Suplementar, tinha rodado a roleta e estava no banco preferencial de trás. A cobradora simplesmente se dirige a mim me pedindo para eu dar lugar para a grávida sentar. Eu respondi: "Só que eu também tô grávida". E a mulher sentada do meu lado teve que ceder o lugar.
Ela não viu que eu estava grávida e por eu ser mais nova já foi direto em mim. Não que a cobradora estivesse errada, mas foi uma situação meio tensa.

Outro dia na fila da lotérica, a idosa simplesmente passou na minha frente. A neta dela ainda tentou consertar dizendo: "Vó, essa moça tava na sua frente. " A senhora simplesmente disse: "Ela não tá na fila." A mulher nem olhou para mim ou perguntou qualquer coisa. Eu fiquei lá, atrás dela, fingindo que nada tinha acontecido.

Mas tem também situações positivas: eu ia me levantar para passar o cartão antes de descer. O ônibus ainda estava em movimento. Um senhor impediu que eu me levantasse. Fez eu esperar o ônibus parar para eu levantar. Ele estava com medo que eu caísse. Foi uma atitude de preocupação que poucos demonstram hoje em dia.
Há também as situações tragicómicas. O dia que eu peguei o ônibus e  os assentos estavam ocupados por 6 velhinhos e uma grávida, além de um cego e mais dois velhinhos em pé e atrás o ônibus estava cheio. E num outro dia que o cobrador do Suplementar teve que arrumar lugar para duas grávidas, um idoso e quatro mulheres com crianças de colo.

O caso é que não existe lugar suficiente no ônibus para todos os idosos, grávidas e deficientes. É fato que, às vezes, uma pessoa que chega cansada do trabalho esteja mais necessitada de sentar do que uma gestante voltando do pré-natal ou um idoso voltando da hidroginástica. Mas mesmo assim, as pessoas não deveriam olhar para a gente com aquele olhar: "Por que saiu de casa?" Eu me sinto como se estivesse incomodando as pessoas, fosse um estorvo! E não! É um direito que eu tenho! E esse direito não é à toa, não é por acaso.  Eu preciso continuar indo à faculdade. Eu sei que pegar ônibus às 22h30 é um sacrifício.Só que eu também não posso ir em pé correndo risco de cair ou ter minha barriga pressionada toda vez que  alguém passar do meu lado. Por isso, tenho o direito de ir sentada!

O problema é complexo. Não tem ônibus suficiente para atender a população. E tem mais idosos e grávidas  pegando ônibus que as poucas cadeiras sugerem. Dentre outros muitos fatores. Mas as pessoas tem que colaborar também. Não é para encarar o lugar preferencial como um incomodo e sim como uma necessidade! Simples assim!

E vocês? O que acham?

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