Nos últimos meses andei pesquisando muito sobre parto e li alguns livros que falam sobre o poder que a mulher tinha nas sociedades antigas e como ela perdeu esse poder ao longo da história. Cada vez que eu penso nisso, fico super revoltada! Há tempos queria ter escrito sobre isso, mas estava evitando, pois sabia que era uma assunto complexo e que exigiria muito de mim. Hoje, finalmente, resolvi escrever algumas conclusões as quais cheguei. Sei que posso estar errada e muita gente não vai concordar comigo, mas é o que penso no momento.
Refletindo um pouco sobre nossa história. Sobre o patriarcado e sobre o feminismo, percebemos o quão inconveniente é para uma mulher hoje em dia ter filhos.
A fisiologia feminina permite a ela dar a luz e, como consequência, seu emocional, instintivamente, é moldado para esse evento. Os ciclos femininos (menstruação, período fértil, gravidez, parto) é o que torna a mulher diferente do homem. Para que os homens pudessem mandar, criou-se a ideia de que a mulher era inferior por viver presa aos seus ciclos. A menstruação é vista como algo sujo, que deve ser escondido. Mulher nenhuma gosta de menstruar e praticamente nenhuma sabe lidar com esse momento. Todos temem a terrível TPM. Depois vem a virgindade. De acordo com o patriarcado, a mulher tinha que se manter virgem e ser fiel para garantir que os filhos gerados fossem realmente do marido. A grávida era isolada do convívio, o parto realizado as escuras... A igreja católica foi a principal propagadora do patriarcado. A virgem Maria que concebeu sem pecado. Ela não podia ter tido relações sexuais com um homem de carne e osso para que fosse assegurado que o filho em seu ventre fosse realmente de Deus. Balela! A trindade (o pai, o filho e o espírito santo) não tem sua principal figura: a mãe. E inúmeros outros exemplos...
Para as feministas terem direitos iguais aos dos homens, poderem trabalhar e ter liberdade sobre o próprio corpo não é conveniente ter filhos. A criança te impede de trabalhar e você deixa de ter controle sobre seu corpo. É o que torna óbvia as diferenças entre homens e mulheres! Por isso, vemos as feministas lutando em favor do aborto, mas não vemos elas lutando pelo direito de mulheres serem protagonistas do seu parto.
Até o século XIX as mulheres pariam em casa na companhia de outras mulheres, as parteiras. O parto não era visto como doença, mas como um evento fisiológico.Com a chegada dos médicos, em sua maioria homens que não entendem nada dos ciclos femininos, muita coisa mudou: a gravidez e o parto passaram a ser vistos como doença e a mulher como paciente. Sei que muitos vão dizer que muitas mulheres e bebês morriam antigamente por complicações na gravidez e parto. No entanto, hoje em dia, com acompanhamento médico tão rígido, as mulheres e os bebês continuam morrendo. Vemos com frequência casos assim nos jornais e todos conhecem pelo menos um caso de alguma vizinha ou parente em que a mulher ou o bebê morreram. As intervenções médicas somente mudaram a causa das mortes.
Antigamente a mulher escolhia em qual posição parir, preferencialmente na vertical pois contavam com a força da gravidade. Hoje em dia é obrigada a parir deitada, com os órgãos comprimidos, menor circulação sanguínea, bacia estreitada e sem conseguir fazer força. Mas a mulher estando deitada é mais fácil e para o médico ver o que está acontecendo e assim poder intervir!
Eu poderia citar mais um monte de exemplos, mas vou ficar só nesse, pois é o mais básico de todos. Só por esse exemplo é possível perceber o quanto a mulher não tem voz nenhuma ao parir!
Engravidar e parir hoje em dia, é uma luta imensa. É lutar contra um sistema patriarcal que ao invés de ter sido derrubado pelo feminismo, infelizmente, ganhou mais forças!
As mulheres que querem parir naturalmente hoje em dia, lutam contra um gama imensa de crenças, mitos infundados e propagados a torto e a direito por qualquer um. Gravidez não é um assunto que circula em qualquer mesa de buteco ou é tratado em qualquer novela. Pelo menos não da maneira correta. E quando tentamos falar com as pessoas a respeito disso, são poucas as que querem ouvir.
É um caminho solitário!
Eu acredito que parte fundamental da igualdade de direitos é reconhecer as diferenças entre homens e mulheres e valorizá-las enquanto tal. Tentar igualar homem e mulher só gera mais preconceito! A mulher tem que conquistar seus direitos na sociedade, sem se privar de sua essência feminina. Por isso, defendo o parto humanizado. O parto que eu defendo é o parto em que a mulher é protagonista e tem seus direitos respeitados.
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