terça-feira, 28 de outubro de 2014

A espera acabou... Nascimento do Vladimir



Queria ter feito meu relato de parto no dia seguinte após o parto. Mas o tempo foi passando e eu só adiando... E lá se foram quatro meses...
Engravidei em outubro. Foi planejado, mas não imaginamos que ia acontecer tão rápido. Decidimos ter o bebê e... pimba! Duas semanas depois o teste de farmácia comprovou a gravidez!

Assim que tive a confirmação comecei a pesquisar tudo o que podia sobre gravidez. Tudo que eu descobria ia contando para meu marido. Apesar de não ter ler sobre o assunto ele prestava atenção em tudo que eu falava e foi em todas as reuniões comigo. Hoje ele é mais ativista que eu. Fala de parto natural para toda grávida que ele vê! Kkkk

Eu já acompanhava um blog no yahoo (mãe de salto alto) e tinha lido um post sobre parto humanizado. Eu tinha certeza que queria um parto normal, pois minha mãe tinha tido seis partos normais. Morria de medo da cesárea. Mas até então, parto humanizado para mim era ter o bebê na água. Sabe de nada, inocente! Nas minhas pesquisas encontrei o blog do Ishtar. Já me identifiquei só de ver o nome, pois gosto de mitologia e já tinha lido sobre essa deusa. Comecei a acompanhar o grupo no yahoo e depois no facebook.

 Mas só pude ir à primeira reunião em janeiro. Engraçado que tinha procurado sobre doulas e, coincidentemente, vi o perfil da Helena em um dos blogs.Quando fui a primeira reunião, lá estava ela coordenando e o tema era justamente acompanhantes para o parto. Naquele dia decidi que ela seria minha doula!

Antes de conhecer o Ishtar quase caí na lábia dos cesaristas do Santa Fé naquele famoso curso de gestantes. Ainda bem que escapei!!! Como todo mundo, comecei a fazer o pré-natal particular. Mas depois fui para o SUS. Eu queria o sis para fazer o pré-natal no Sofia, mas como as coisas em Ribeirão das Neves são lentas tive que esperar para conseguir o número e acabei fazendo quase todo pré-natal no posto mesmo. Minha gravidez foi bem tranquila. Participei de várias reuniões e chás de bênçãos, estudei muito sobre parto e curti bastante a gravidez.

Lá pelo meio da gestação começou a brotar a vontade de um parto domiciliar. Eram tantas histórias lindas de parto domiciliar... Eu acho que não me sentiria confortável no hospital. Eu ODEIO médico. Sério! Nunca dei certo com nenhum.  Já consultei com uns 8 ginecologistas e só dei certo com uma, mas infelizmente ela se aposentou. L  Mas até irmos visitar o Sofia o PD era uma possibilidade distante. Meu marido achava que nunca poderíamos ter um parto em casa, pois nossa casa é muita pequena e não tínhamos dinheiro para pagar uma equipe. Foi na visita ao Sofia que conhecemos a equipe e a vontade cresceu. Até meu marido se empolgou com a ideia! Mas a casa era um empecilho. Foram cinco semanas conflitantes para mim. Meu marido queria que o PD fosse na casa da minha mãe, minha mãe e meus irmãos estavam morrendo de medo que alguma coisa acontecesse comigo no parto domiciliar e aí foi aquele mal estar. Conversei com a Kalu, com a Helena pedindo opinião até resolver que eu teria o PD na minha casa mesmo e pronto. Meu marido vendo que eu estava decidida, apoiou. Nossas famílias estavam com medo, mas não falaram mais no assunto. Tenho certeza que minha mãe orou o tempo todo por mim! Voltei no Sofia para conversar com a equipe. No dia não havia nenhuma das enfermeiras lá, mas me passaram o telefone da Sintia. Liguei e conversamos. Ela me disse que talvez não fosse possível porque na minha dpp parte da equipe estaria de férias. Ela ficou de conversar com a coordenadora da equipe para ver se poderia me encaixar. Nesse dia quase desisti do PD achando que não ia conseguir. Alguns dias depois, a Sintia me ligou dizendo que elas iriam me acompanhar. Depois disso ainda teve a saga do estreptococos. Eu não descansei enquanto o resultado não saiu. Fiquei tão feliz quando deu negativo!!!!

Comecei a fazer o pré-natal com a equipe de PD com 35 semanas. Que diferença! As meninas são ótimas, eu me senti muito à vontade com elas! Fazer pré-natal com enfermeiras é muito melhor do que com médico!!!Fiz os preparativos finais para o parto a partir das 37 semanas. Passei a fazer as terapias integrativas do Hospital Sofia Feldman que acabaram com as minhas dores e reduziu muito minha ansiedade.  Terminei meu plano de parto. Fui fazendo a playlist do parto e comprando as coisas que faltavam. Com 38 semanas comecei a sentir as primeiras contrações, ainda indolores e irregulares. No dia 13 de junho cheguei a sentir contrações com cólicas de 10 em 10 minutos, mas elas duraram apenas 1 hora.  Eu sabia que o bebê não iria se antecipar. Minha intuição dizia que ele nasceria no dia 29 de junho... Com 38 semanas uma amiga se ofereceu para tirar as fotos. Foi um presente inesperado que me deixou muito feliz!Com 39 semanas tive o chá de bênçãos. Foi um chá bem intimista, apenas a doula, meu marido, eu e mais um casal. Mesmo com tão poucas pessoas, foi um chá muito especial e eu me sentia muito feliz. Tinha escrito no blog uma carta para meu bebê e escrito no meu diário pessoal todos os medos que eu tinha. Fiz isso para exorcizar todos os medos e limpar a minha mente. Queria entrar em TP livre, leve e solta...

No dia 26 de junho fui à faculdade tirar as fotos para o convite de formatura. Durante o trajeto para a faculdade percebi que as contrações estavam ritmadas, de 10 em 10 minutos. Fiquei feliz, sabia que estava próximo. Revi minhas amigas. Todo mundo perguntando para quando era o bebê. E eu respondendo: em teoria hoje. De acordo com a DUM, ele deveria nascer naquele dia. Contei para meu marido e ficamos a postos. Estávamos bem tranquilos. Fui dormir sentindo as contrações e às 2h da madrugada, acordei sentindo cólicas. Levantei fui fazer um lanche e mexer um pouco no facebook. Fiquei conversando com um amigo até às 4h da manhã. Sentia cólica semelhante a da menstruação que duravam uns 40 segundos e vinham de 20 em 20 minutos. Assim que as dores acabaram, voltei a dormir. Ainda não era o TP. No dia seguinte, meu marido me perguntou como estava. Eu não estava sentindo nada, mas sabia que tudo começaria em poucas horas. Queria que ele ficasse comigo, mas também não podia impedi-lo de ir trabalhar. Disse que estava tudo bem e ele foi para o serviço. Eu fui à padaria, tomei café e arrumei a casa sentindo as contrações levinhas e irregulares. Mas quando foi mais ou menos 9h30 da manhã senti uma contração bem forte que me fez ficar de quatro no chão. Liguei para o marido chorando, pedindo para ele vir logo. Mandei mensagem para a Helena, e para a Síntia, a EO  que ia me acompanhar no parto. Na minha cabeça eu entraria em trabalho de parto quando o tampão saísse. Eu já estava sentindo contrações que pareciam de TP e nada do tampão. Mandei mensagem para Helena e a Sintia falando que estava sentindo contrações regulares, mas o tampão ainda não tinha saído. A Helena respondeu dizendo que não era para eu me prender ao tampão e sugeriu que eu tomasse um banho para relaxar . Então esqueci do tampão e  fui para o chuveiro para diminuir a dor e fiquei um pouco na bola de pilates. Durante o banho vieram quatro contrações. No entanto, após o banho, as contrações foram embora e eu comecei a achar que estava exagerando e que talvez fosse alarme falso. A Helena me ligou e eu estava até sem graça, pois parecia que o TP tinha parado. Logo depois a Sintia ligou e eu disse que ia esperar até a hora do almoço para ver o que ia acontecer. Fiquei deitada na cama esperando e as contrações não vinham. Meu marido chegou e eu estava ainda sem saber o que fazer. As cólicas vinham muito espaçadas. Ele fez o almoço, mas eu não consegui comer direito. A Síntia me ligou e eu ainda estava na mesma. Falei que ia esperar mais um pouco. Deitei no sofá e tirei um cochilo.

Quando foi por volta das 14h as contrações voltaram e com muita força. Não era uma simples colicazinha. Era um dor forte no pé da barriga. Começava super forte e depois ia diminuindo. Contorci-me no chão de dor, começando a chorar. Agora a porra tinha ficado séria! Márcio, meu marido, me abraçava, meio sem saber o que fazer. Resovli ir para o quarto ficar um pouco na bola de pilates. O Márcio me segurando, me ajudando a lembrar da respiração. Ele sugeriu começar a contar as contrações. Acho que estava mais ou menos de 15 em 15 minutos. Nesse momento eu vomitei. Não adiantou nada ter comido kkkk Depois disso senti que era a hora de ligar para a equipe, era o TP começando. Pedi para o Márcio ligar para a Helena, a Síntia e para a fotógrafa. Tinha colocado os telefones na porta da geladeira para facilitar. O tempo que se seguiu até a chegada da Sintia pareceu uma eternidade; Helena chegou logo depois. Quando ela chegou eu estava no meio de uma contração, senti um alívio tão grande quando eu a vi!!!  Me passou uma tranquilidade enorme.

A Sintia calculou o tempo das contrações, estavam de 10 em 10 minutos. Ouviu os batimentos fetais e a pressão, estava tudo ok. O jeito era esperar. Helena e o Márcio estavam comigo no quarto, enquanto a Sintia estava na sala. Após um tempinho pedi para medir a dilatação. Durante toda a gravidez eu não tinha feito toque. A Sintia foi muito delicada, me pediu licença e tudo, mas definitivamente toque é horrível!!! Quando a enfermeira disse que eu estava com três para quatro centímetros de dilatação e o colo estava fino, senti uma ponta de desanimo. Ainda ia ficar muitas horas em TP. Mas decidi não pensar mais na dilatação e não fazer mais nenhum toque. Eu ainda não estava em TP ativo, tudo poderia acontecer. A Sintia me aconselhou a tomar um chá. Tomei um chá de erva doce, mas vomitei logo depois. Mais ou menos nessa hora a fotografa chegou. Naquela hora eu não queria foto de jeito nenhum e mandei a fotografa ir embora. Mas ela ficou. Como eu vi que ela não foi embora, ignorei. Ela já estava lá mesmo. Resolvi não pensar em mais nada. Tudo o que eu queria era que meu TP engrenasse.  

Como eu ainda não estava em TP ativo, a enfermeira resolveu ir embora e voltar depois quando eu estivesse na fase ativa. Fiquei algum tempo na cama deitada. Dormia nos intervalos das contrações. O Márcio e a Helena ficaram ao meu lado o tempo inteiro, me abraçando, fazendo massagens e aguentando meus gritos. O mantra do meu TP foi: “Tá doendo”! Sempre que vinha a contração eu dizia isso e dizia no ritmo das contrações, no início alto e depois diminuindo. Realmente as contrações são como uma onda. Começam bem fortes e vão diminuindo aos poucos até acabar. Acho que pior que sentir a dor era saber que ela ia voltar a qualquer momento. Dava um misto de desespero, angústia e ansiedade. Nos intervalos eu estava tão cansada que entrava num estado de semiconsciência, meio acordada, meio dormindo. Nesse momento as contrações pareciam estar espaçadas, mas como não tinha ninguém contado, não dava para saber de quanto tempo eram os intervalos. Ficamos assim até a Helena sugerir que eu fosse para debaixo do chuveiro.

Fiquei um bom tempo debaixo do chuveiro. A sensação da água caindo no pé da barriga dava um alivio, parecia que as contrações diminuíam. Eu não queria sair de lá nunca mais, rsrsrs. Às vezes eu me lembrava da respiração, mas na maioria das vezes em que viam as contrações eu só gritava. Enquanto o Márcio e a Helena faziam massagem e tentavam me confortar. Até que uma hora eu pensei: “Tenho que parar de gritar. Vou relaxar e controlar a respiração para o TP engrenar.” Fiquei calada, de olhos fechados. A contração vinha e eu respirava fundo, tentando não pensar na dor. Nos intervalos eu conversava com o Vladimir. Não lembro o que eu disse. Mas tentava imaginar que eu já estava com a dilatação completa, que eu estava pronta e que ele podia vim. Falava do que eu sentia por ele, do que eu fiz durante a gestação esperando a chegada dele e falei dos planos futuros. Foi um desabafo. Consegui fazer isso durante umas cinco contrações.  Eu escutava a Helena e o Márcio conversando. Eles estavam preocupados com o meu silêncio. Eles tentaram conversar comigo, perguntaram se estava tudo bem e eu só assenti com a cabeça. Então comecei a pensar que aquilo não estava dando certo. Eu estava cansada, não queria mais sentir dor. Abri os olhos e comecei a falar que queria ir para o hospital tomar anestesia. A Helena e o Márcio riram e argumentaram falando que ia dar muito trabalho, que não era isso que eu queria, e que eu estava em casa, era só ficar tranquila que estava tudo indo bem e não sei mais o quê. Eu falava que não estava aguentando mais sentir dor, se eu tomasse anestesia eu ia poder descansar e depois eu voltava pro TP com mais força! Ficava falando com uma vozinha mansa, manhosa. Era tudo papo furado! Eles viram que eu não estava falando sério! Na minha cabeça se eu fosse para o hospital, enquanto estava no carro o TP ia parar, eu ia poder descansar e depois eu voltava a me concentrar no parto. Kkkkkk Nada a ver. Mas à medida que eles foram falando vi que se eu fosse ter anestesia, ia ir para o hospital sentindo dor e o TP duraria mais tempo ainda. Então resolvi deixar pra lá. Eu não queria anestesia mesmo. Nessas horas a gente fala tanta coisa!

As contrações voltaram e eu não consegui mais controlar a respiração. Ficava só gritando. Até que a chave do chuveiro caiu e a água ficou fria. O Márcio foi ligar a chave de volta e aí eu comecei a pensar que já estava há muito tempo debaixo da água. Quantos litros de água já deviam ter ido embora? Quanto nós íamos pagar de conta de água e luz? Kkkkkk Eu não podia ficar a vida inteira debaixo do chuveiro. Aquilo não era parto ativo coisa nenhuma, eu tinha que ficar em pé! Mas cadê a força pra levantar? Precisei de mais umas duas contrações pra criar coragem. Quando levantei também, foi de uma vez. Falei que queria ir pro quarto e saí andando. A Helena atrás com a toalha para me secar. Foi nesse momento que o TP engrenou de verdade.

Fui para o quarto e cravei as mãos na grade do berço. Fiquei em pé. A cada contração eu segurava mais forte na grade. Minhas mãos ficaram dormentes, mas eu não conseguia soltá-las. Nessa hora a Helena fazia uma massagem de apertar os ossos do quadril que eram uma benção. Quase cortavam as contrações. Depois ela revezou com o Márcio nas massagens. O Márcio não fazia igual. Eu pedia para ele colocar mais força nas mãos. Tadinho! Ele cansou rapidinho e logo pediu para trocar com a Helena. Durante todo o tempo que fiquei no quarto a Helena e o Márcio me deram água. Eu não tinha vontade de comer nada. O que me deu forças foi aquela vitaminas de caixinha da Itambé. Tomei o litro todo!!

Quando fui para o quarto a Helena perguntou se eu queria ouvir alguma música. Eu já tinha feito a playlist do parto. Repassei as músicas mentalmente na cabeça e respondi: “Nenhuma”. Kkkk. Tinha colocado tanta coisa no meu plano de parto. Queria incenso, música tal em momento tal e na hora não quis nada. Só depois que vi, pelas fotos, que a Helena tinha acendido um incenso.
Senti frio e me cobriram com o roupão.As contrações foram ficando mais intensas. E eu me rendi. Fazia o que meu corpo pedia. Fiz cocô. Nessa hora não tinha vergonha de nada. O lado animalesco submerge! Eu pensei em tantas coisas. Mergulhei dentro de mim mesma! Quando não aguentei mais ficar em pé, fiquei de cócoras. Sempre segurando na grade do berço. As dores foram aumentando e o mantra mudou dessa vez era: “Vai passar”, sugestão da Helena que tentava me tranquilizar com essas palavras. E ajudou mesmo! Até que me cansei e deitei. Aí as contrações começaram a vir uma atrás da outra sem intervalo. Fiquei desesperada vendo que não estava passando. Foi quando senti alguma coisa descendo pelas minhas pernas e falei: “Tá saindo alguma coisa de dentro da minha vagina.” Kkkkk Era o tampão. Eu já tinha até me esquecido dele. O Márcio limpou com o papel higiênico e me mostrou, dizendo: “Você não queria ver o tampão, olha ele aqui.” E eu respondi; “Já vi um monte na internet”. Até a Helena riu. Mas é que não estava dando conta nem de olhar para o lado!
Como o tampão tinha saído a Helena nos lembrou de ligar para a Sintia. Acho que ela tinha ligado algumas vezes, mas foi só nessa hora que tivemos certeza que eu estava na fase ativa. Ela chegou rápido e fez os procedimentos de costume: medir pressão e ouvir coração.

Depois que o tampão saiu as contrações voltaram a ficar espaçadas e eu sentia uma vontade enooorme de fazer força. Sentia ele se mexendo dentro de mim e fazendo pressão para baixo. Eu já não gritava, urrava!!! Eu sabia que não podia fazer força, mas não conseguia parar. Foi aí que me lembrei da banheira. Pedi para encher a banheira e todo mundo entrou em desespero. Corre pra lá, corre pra cá. A ideia era ligar a mangueira no chuveiro. Mas a mangueira era muito grande e água estava chegando fria na banheira. O jeito era esquentar a panela no fogão. Mas todas as minhas panelas eram pequenas. Iam ficar a vida inteira enchendo a banheira. O Márcio correu na casa da mãe dele para pedir um caldeirão.

Eu fiquei sozinha com a Helena no quarto. Foi a hora que eu achei que não ia mais conseguir. Nessa angústia, abracei a Helena procurando acolhimento. De leoa, virei menina. Nunca vou me esquecer daquele abraço e do olhar de carinho da Helena. É nessas horas que entendemos a importância de uma doula nos acompanhando. Helena foi como uma mãe para mim.

Então as contrações deram um intervalo longo e eu pude pensar com calma. Pela correria eu vi que não ia dar tempo de encher a banheira. Pedi pra largar a banheira para lá e voltei para o chuveiro.
Sentei na banqueta de parto. Eu já estava cansada, as contrações vinham com força! Esperei o Márcio chegar. Ele chegou afobado. O  Chamei para o banheiro expliquei que não queria mais a banheira, mas que estava nervosa. Ele me acalmou e me lembrou da minha visualização de parto. Aí eu consegui relaxar. A Helena sugeriu que eu colocasse a mão para sentir a cabecinha. Coloquei, a vagina estava inchada, mas não consegui sentir a cabeça dele.  Poucos minutos depois veio uma contração e eu senti a cabeça dele descendo. Junto veio um ploc, era a bolsa que tinha estourado. Na hora eu nem percebi que era a bolsa, achei que era só o movimento da cabeça dele pressionando. Quando eu disse: “A cabeça dele tá aqui.” Acho que ninguém acreditou.  Eu tinha acabado de falar que não tinha sentido a cabeça! Nessa hora eu senti o círculo de fogo. E falei: “Nossa o círculo de fogo, é do jeito que falaram mesmo.” Aí todo mundo acreditou. Todo mundo ficou a postos esperando! O Márcio olhou e viu a cabecinha saindo. A Helena perguntou se eu queria ver. Disse que não, apesar de ter dito no plano de parto que queria ver. Mas eu estava tranquila. Não precisava ver, sabia que ele estava vindo. Relaxei. Veio outra contração e senti a cabeça dele saindo direitinho.  O Márcio estava segurando a cabecinha e viu que ele o cordão estava enrolado no pescoço. Eram duas circulares.  Ele ficou um pouco apreensivo. A enfermeira desenrolou o cordão. Logo depois veio outra contração e ele saiu inteiro nas mãos da Sintia e do Márcio que estava ajudando a segurar e veio direto para os meus braços. Foi inacreditável, inexplicável: ele estava ali, nos meus braços!

 Na hora eu pensei que ia rir ou chorar, mas tudo o que eu consegui foi olhar para o Vladimir sem acreditar. Eu estava em choque. Foi tudo tão rápido! E ele era tão lindo. Durante a gestação não tinha feito nenhuma expectativa de como ele seria fisicamente. E quando o vi, o achei a coisa mais linda do mundo! Ele quase não tinha vérnix. Achei o Vladimir tão limpinho, tão durinho, meu príncipe!  A enfermeira olhou a hora: 00:28. Na minha cabeça já deviam ser umas 4h da manhã. Surpreendi-me com o horário.Tinha perdido a noção do tempo quando estava na partolândia. O Vladimir não chorou.  A Sintia massageou as costinhas dele e ele começou a respirar aos pouquinhos. A cor roxa foi saindo, dando lugar ao rosado. Seu apgar foi 9/10.  

Fomos para o quarto.Fiquei com ele no colo, o admirando, conversando com ele até o cordão parar de pulsar. Achei bem chato esperar a placenta sair.  Continuar com as contrações me incomodou muito. Tentamos a amamentação, ele chegou a pegar o seio, mas não mamou. Ele só foi mamar mesmo ás 16h da tarde, desde então não largou mais, rsrsrs. Quando o cordão parou de pulsar o Márcio cortou o cordão e pedi que aplicassem a ocitocina, esperamos uns minutos para fazer efeito e a Sintia foi puxando a placenta devagar. Foi um alívio quando saiu. Guardamos a placenta no freezer e vamos plantá-la junto com um pé de abacate assim que possível. Depois o Vladimir ficou com o pai. Tive laceração e foi preciso fazer a sutura, mas não sei quantos pontos foram. Tomei um banho com a ajuda da Helena e da Sintia e jantei.Minha pressão estava muito baixa. Estava fraca. Comer me ajudou a recuperar as forças. O Vladimir foi avaliado, ele nasceu com 3,345 kg e 49 cm. Todas só foram embora depois de ver que tudo estava bem com a gente. As três foram ótimas!

Nessa noite não consegui dormi direito, pois não conseguia desgrudar os olhos do meu anjinho. Fiquei um tempão pensando no que eu tinha acabado de viver. Quanta emoção. Que momento intenso! Me senti tão mulher, tão forte! Feliz!!! Parir é algo sem explicações! Ter tido um parto sem intervenções na minha casa foi um sonho! Só de pensar que se fosse no hospital meu marido não estaria comigo, eu não ficaria tão à vontade... Sem dúvida, ter o bebê em casa é mais tranquilo e confortável. Não trocaria meu lar por um hospital, por melhor que seja. Não tem comparação! 

Gostaria de agradecer ao Ishtar-BH pelas informações e apoio, a Eliana Cunha pela inspiração; a Letícia Dawahri por ter me ajudado a dizer não ao meu sabotador;  a Helena, minha doula amada,  pelo apoio incondicional; a Sintia pela excelente assistência e a todas meninas da equipe de PD do Sofia Feldman; a Angelita Alves pelas fotos lindas e pelo carinho; e, principalmente, ao meu maridoulo que gestou e pariu junto comigo nosso bebê. Obrigada Deus por te me concedido essa graça!










































2 comentários :

Unknown disse...

Que lindo!

Unknown disse...

SENSACIONAL!!!!
Estou apaixonada e impressionada com a sua força.
Parabéns!!! =)

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