Primeiramente, tenho que falar o quanto eu me sinto feliz por ter conseguido amamentar durante um ano e ainda estar amamentando. Em um país onde a média de amamentação é de 54 dias, quem consegue amamentar por um ano bate recorde.
Dito isto, quero deixar claro que essa postagem não é para ficar falando dos benefícios da amamentação. Sobre isso tem vários artigos na internet. Quero dar meu relato, contar minha experiência. Lembrando que é só minha opinião e não verdades absolutas.
Apesar de ter tido parto natural domiciliar, Vladimir não mamou na primeira hora de vida. Tivemos contato pele a pele. Coloquei ele no meu peito com ajuda da equipe. Tentamos várias posições, mas ele simplesmente não quis mamar. Dormiu a noite toda, tranquilamente. Pela manhã, tentei novamente colocá-lo ao seio para mamar, sem sucesso. O danado só queria dormir. Provavelmente estava cansado e ainda tinha alguma reserva de energia. Somente às 16 horas, depois de três fraldas de mecônio, e com a ajuda das enfermeiras do Sofia ele mamou. As enfermeiras que vieram mais tarde, verificar como eu e ele estávamos após o parto, olharam se eu tinha colostro e me orientaram em relação a pega correta e outros detalhes sobre a amamentação. Vladimir enfim pegou o peito e, desde então não parou mais!
Teria sido tudo lindo se não fossem as dores. Sim. Quando o bebê estimula o seio, no início da amamentação, sentimos contrações. Essas contrações ajudam o útero a voltar para o lugar. Essas contrações são causadas pela ocitocina ( o famoso hormônio do amor). Funciona assim: você olha para aquele serzinho lindo mamando, fica apaixonada, entupida de hormônio do amor e, como consequência, sente dor. Amor e dor andam de mãos dadas na maternidade. Tenso!
Vladimir mamou até a última gota de colostro! Passei a primeira madrugada em claro com um bebê plugado no peito. Piercing de mamilo! Como o bebê tem que fazer uma força de sucção muito grande para mamar o colostro o peito machuca. Então no início eu era um zumbi barrigudo cheio de dores na barriga e no mamilo! Que maravilha! E, nessas horas a vergonha de ficar com os peitos de fora vai embora, né. É mil vezes melhor tomar sol nos peitos para sarar logo do que ficar com o peito inchado. Então que se F* se alguém vai ver seu peito. (Isso é só o começo!)
Mas, graças a Deus, no terceiro dia Jesus ressuscita e o leite desce. Na segunda feira meu leite desceu. Vladimir já estava com a pega correta, as contrações diminuíram e a amamentação estava praticamente estabelecida.
Tenho que agradecer mil vezes não ter tido mastite, ducto entupido, peito engurgitado. Nada durante esse tempo!
Depois que o leite desce, temos que nos acostumar a sentir o peito encher, inchar e vazar. De manhã nunca dá para saber se a cama está suja de leite ou de xixi. kkkkk
Quando o sufoco da primeira semana passa e a gente se acostuma, amamentar passa a ser a melhor coisa do mundo! É muito amor!
Mas temos que nos preparar. Deixar o lanchinho e a água no pé da cama, ter alguém para arrumar a casa e fazer comida porque nos próximos três meses o bebê mama praticamente o tempo inteiro, seja acordado ou dormindo, o menino só sabe mamar. É difícil ter um tempinho para tomar banho ou ir ao banheiro. Claro que isso só acontece se você amamenta em livre demanda ( a hora em que o bebê quer), sem chupeta e mamadeira.
Nessas horas começam os chatos enchendo o saco com a frase: "Ele tá fazendo seu peito de chupeta!" Não meu filho. Na verdade, quando você oferece a chupeta para o seu filho, ele faz a chupeta de peito e não o contrário. Todo o tempo que o bebê passa no peito é importante para ele, seja para nutrir fisicamente ou emocionalmente. O peito é o vínculo do bebê com a mãe e com o mundo externo, é aconchego, segurança, acolhimento. Tuuuudo!
Eu sou contra o uso de chupeta, mas não critico quem usa. Tenho amigas que usam e eu entendo perfeitamente. Eu mesma, na hora do aperto, já pensei em dar chupeta para o Vladimir. É muito desgastante amamentar em livre demanda. A gente fica louca achando que o menino nunca mais vai parar de mamar! Mas resisti porque não quero ter o trabalho de retirar a chupeta no futuro.
E essa fase passa, como todas as outras. O segredo é ter paciência e apoio.
Depois dessa fase o bebê só volta a ficar plugado no peito nos períodos de crise, pico de crescimento, nascimento dos dentes, doença e angústia da separação. Eu falei só? Só é eufemismo porque esses períodos, somando, dão quase o ano inteiro! kkkkkk Ri para não chorar!
Sem contar que nesses períodos eles adoram mamar de madrugada. A gente fica toda torta porque não consegue mudar de posição. Não dorme direito. E vai trabalhar feito um zumbi.
Depois que eles passam a comer bem, não mamam tanto. E a medida que vão ficando maiores dá para distraí-los com outra coisa. Com o tempo o corpo regula as mamadas. O peito não fica cheio a todo momento, na verdade ele murcha (A fase siliconada dura pouco). Meus peitos murcharam depois dos 7 meses mais ou menos. Mas ainda sai leite normalmente. E ele mama muito. Aí já dá para usar uma roupinha mais bonitinha sem o peito ficar vazando...
A verdade, porém, é que amamentar é muito prático. E, nós, mães, ficamos mal acostumadas. O menino abriu a boca a gente taca o peito, afinal ele resolve tudo. Só entramos em desespero quando o menino não aceita o peito. Aí a casa cai!
Eu sofri bastante com o nascimento dos dentes. Os dois de cima quase me fizeram desmamar o Vladimir. Ele mordia meu peito. E fiquei duas semanas com o peito ferido e ele mordendo! Foi a treva! Mas também foi outra fase que passou. O quinto dente nasceu recentemente e ele não me mordeu. Como eu disse, tem que ter paciência.
Outra coisa insuportável é amamentar na tpm. Dá uma gastura, Uma irritação. A gente fica irritado, o bebê também. Um saco!
Depois do sufoco inicial. Logo, logo temos uma recompensa maravilhosa: o primeiro sorriso. Nunca vou esquecer do dia que Vladimir olhou nos meu olhos e sorriu enquanto mamava. Chorei! Foi um momento incrível e que se repetiu várias vezes! <3
Mas... de novo esse mas... Tem as manias. As cutucadas no nariz e na boca, os tapas, os beliscões no bico do peito, as puxadas de cabelo, revezar entre um peito e outro... A medida em que vão ficando maiores os bebês não conseguem ficar com a mãozinha ociosa. Tem que ocupá-las. E a melhor maneira que eles encontram de fazer isso é batendo na sua cara!kkkkk Ou, no caso do Vladimir, beliscando o outro peito. No início eu odiava esse hábito. Tentei tirar e não consegui. Por fim, me acostumei.
A medida que eles vão crescendo, as estratégias para amamentar aumentam. E se o objetivo deles é mamar, não tem nada que os faça mudar de ideia. O Vladimir tira minha roupa e puxa o peito na maior sem cerimônia. Mama em pé, deitado, de joelhos, de cabeça para baixo, no banho... ele só não fica sem mamar. Distraiu, viu o peito, tá mamando. Isso quando não tenta mamar nos outros também!
E aí, nessa altura do campeonato, a vergonha já foi embora há muito tempo. Nada de fraldinha tampando. Até porque o bebê arranca ela mesmo. No início eu ficava com vergonha. Agora, faço cara de alface. Imagina. Quando tem uma conversa chamando a atenção dele, ele tira o peito da boca e fica olhando ao redor e eu lá com os peitos de fora. Se eu for ficar com vergonha é pior. Então finjo que não tá acontecendo nada. E as pessoas também fingem que não estão vendo nada...
Outra coisa que para mim foi e está sendo difícil é o peso. Amamentar emagrece, ao mesmo tempo que aumenta a fome. É preciso se alimentar muito bem, afinal estamos sendo alimento de outra pessoa. Então precisamos de gordura para gente e para o bebê. No meu caso, sempre fui magrela. Perdi os quilos que ganhei com a gravidez e além. Mesmo comendo mais do que eu comia antes da gravidez, estou uma caveirinha. Isso às vezes me preocupa. Penso em desmamar. Mas se eu ainda produzo leite, então vou levando.
Enfim... Afora todo o sufoco que passamos para amamentar, sempre tem um chato para falar: "Você ainda amamenta? Ele tá muito grande. Já pode desmamar!" Blá!Blá!Blá! O que não falta nesse mundo é gente para encher o saco. Não existe nada melhor que o leite materno para a criança. Mesmo após um ano de vida. E porque não deixar a criança desmamar naturalmente? Por que tirar o peito a força? Enquanto for bom para os dois não tem porque desmamar só porque o menino tem mais de um ano. Eu não sei quando o Vlad vai parar de mamar, por enquanto não cheguei no meu limite. Vamos ver até onde vai dar.
2 comentários :
Fico satisfeita quando vejo as pessoas que realmente desejam amamentar. =)
Felicidades para vocês, Meire! =*
Ei, Meiriele! Q texto bacana! É quase todo 'meu', rs! O Dante ainda mama tb, e a gente exibe isso com o maior orgulho! E não há dente, nem chato, nem constrangimento q vá mudar isso! Vou deixar ele mamar até quando quiser... ou até eu mudar de opinião, rs! bjs! :-* Patricia
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